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Sociologia e Serviço Social: Karl Marx

A produção marxista é hoje, sem dúvidas, a principal matriz do quadro referencial teórico do Serviço Social. No contexto da ditadura militar (autocracia burguesa), ela emerge de um modo clandestino/panfletário, depois fica insulada no ensino superior e posteriormente, com o enfraquecimento da ditadura, é espraiada sob a categoria profissional – é o que diz José Paulo Netto em Ditadura e Serviço Social.

O objetivo desse post é conhecer um pouco mais sobre o marxismo e alguns dos principais conceitos. De um modo breve, simples e que não substitui uma leitura aprofundada.

Karl Marx

Para biografia sugerimos o Filme “O jovem Karl Marx”, um filme envolvente e bastante interessante para se familiarizar com o universo de Marx. Sugerimos ver o Wikipédia também – biografia é algo simples e fácil de ser achado. Assista o filme abaixo.

Os princípios da teoria marxista foram formulados na obra de Marx e Engels “O Manifesto do Partido Comunista” (1848), na Karl Marx a Joseph Weydemeyer (1852), no livro “Capital” de Marx e em suas outras obras, como “Civil guerra na França “(1871) e” Crítica do Programa de Gotha “(1875), bem como nas obras de F. Engels” Anti-Duhring “(1878),” A Origem da Família, Propriedade Privada e do Estado “(1884),” Ludwig Feuerbach e o “Fim da filosofia clássica alemã”(1886) e outros. 

Marx tem uma compreensão materialista da história e da sociedade. A produção material é a base da sociedade, uma necessidade. Assim, o modo de produção dos bens determina a ordem de vida da sociedade.

Ao sintetizar o materialismo e a dialética, Marx criou o método da dialética materialista, oposto ao de Hegel, e a usou em “O Capital” para analisar o desenvolvimento da sociedade capitalista. Para ele, o homem é o sujeito da história. A sociedade, por sua vez, é governada pelos proprietários dos meios de produção. A consequência da alienação é a distorção de todos os valores. Se uma pessoa considera os valores econômicos como o objetivo mais elevado, ela ignora os valores morais. Marx destacou várias formações socioeconômicas da história, examinou os padrões de seu desenvolvimento, as razões e as formas da mudança das formações. Escravidão, Feudalismo, Capitalismo, Comunismo. Marx revelou as contradições econômicas inerentes ao capitalismo, fundamentou a inevitabilidade da transição para a próxima formação. 

Mais-valia

A mais-valia é a diferença entre o novo valor criado no processo de trabalho (o excesso do valor do trabalho de uma mercadoria sobre o valor do trabalho previamente materializado – matérias-primas, materiais, equipamentos) e o valor do trabalho (geralmente expresso na forma de salários) que foi usado para criar este novo valor. A mais-valia se manifesta em suas formas específicas: lucro empresarial, juros, aluguel, impostos, impostos especiais de consumo, direitos, ou seja, já distribuídos entre todos os agentes da produção capitalista e em geral entre todos os candidatos à participação no lucro. No modo de produção capitalista, a mais-valia é apropriada pelos capitalistas na forma de lucro, o que expressa sua exploração da classe trabalhadora.

Alienação

A natureza socioeconômica da alienação foi revelada por Marx. Nos Manuscritos Econômicos e Filosóficos de 1844 ele formou o conceito de trabalho alienado: é um processo de exteriorização de uma essência humana e do não-reconhecimento desta atividade enquanto tal. É a pobreza gerada ao trabalhador enquanto, simultaneamente, gera-se a riqueza do capitalista. Há também a alienação do homem do homem e de sua vida genérica, que passa de um fim em si a um meio. Além disso, o trabalho torna-se um processo de abnegação da pessoa, uma forma de excluí-la da vida. A alienação coincide com a autoalienação. Mais tarde, Marx mostrou o papel da divisão do trabalho e revelou a natureza do fetichismo da mercadoria como fundamento objetivo para a alienação. Ele não foi abandonado pela convicção de que era possível superar, “remover” qualquer alienação liquidando a propriedade privada e substituindo-a por propriedade pública. Nesta base, o trabalho alienado se transforma em uma autorrealização livre das forças essenciais de uma pessoa, que se desenvolve universalmente e vive em unidade harmoniosa com outras pessoas e com a natureza. 

Valor de uso, valor de troca, trabalho concreto e abstrato

Qualquer mercadoria dispõe de uma dupla natureza, uma vez que possui tanto valor de uso (em outras palavras: valor, utilidade para o consumidor), quanto valor de troca (capacidade de trocar proporcionalmente por outros bens). Por sua vez, a natureza dual de uma mercadoria é explicada pelo duplo caráter do trabalho despendido em sua produção: concreto – para a produção dessa mercadoria particular (se manifesta no valor de uso) e abstrato – trabalho em geral como um dispêndio de força humana (se manifesta no valor de troca).

Teses sobre Feuerbach 

É uma obra manuscrita por Karl Marx, escrita em 1845 na forma de notas em um caderno. Originalmente não pretendido para publicação pelo autor, mas foi publicado em uma revisão por Engels em 1888. Nesta obra, Marx discute com o filósofo materialista alemão Ludwig Feuerbach. Segundo Marx, a desvantagem do materialismo de Feuerbach é a percepção de um objeto, realidade ou sensibilidade apenas como objeto ou contemplação. Ao materialismo contemplativo, Marx opõe a atividade ou “prática revolucionária”, vez após vez rompendo as contradições do mundo material. Podemos dizer que é a atividade o conceito-chave nas “Teses”. 

Segundo Marx, o homem por natureza é um produto de todas as relações sociais. Marx reconhece que o homem é um produto das circunstâncias, mas as circunstâncias, por sua vez, são alteradas pelas pessoas. E a coincidência de mudanças nas circunstâncias e na atividade humana só pode ser considerada uma prática revolucionária. A verdade do pensamento humano é provada apenas na prática. A prática é a medida da verdade, as tentativas de separar a teoria da prática são uma falha epistemológica e levam a uma compreensão não científica do mundo. O objetivo da filosofia, então, não é explicar o mundo, mas transformá-lo.

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