Indicadores sobre renda, trabalho e alimentação podem apoiar pesquisas, diagnósticos sociais e planejamento de ações nos territórios.
O debate sobre as desigualdades no Brasil em 2026 ganhou novos subsídios com a divulgação do Relatório do Observatório Brasileiro das Desigualdades, produzido pelo Dieese. Segundo notícia publicada pelo Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome (MDS) em 12 de agosto, houve melhora em 71% dos indicadores monitorados. Confira a divulgação do MDS.
Para o Serviço Social, esses dados podem contribuir para contextualizar demandas e formular perguntas de pesquisa. Seu uso exige atenção às diferenças entre a realidade nacional e as condições de cada território.
Quais indicadores merecem atenção?
A seleção abaixo reúne resultados apresentados pelo MDS na divulgação do relatório:
| Indicador | Período inicial | Período mais recente |
|---|---|---|
| Insegurança alimentar moderada ou grave | 9,5% em 2023 | 7,7% em 2024 |
| Taxa de desocupação | 6,6% em 2024 | 5,6% em 2025 |
| Pessoas vivendo com renda domiciliar per capita de até meio salário mínimo | 53,8 milhões em 2024 | 52,4 milhões em 2025 |
Fonte dos dados: MDS — divulgação do Relatório do Observatório Brasileiro das Desigualdades de 2026.
2026 é o ano da edição, não o ano de referência de todos os dados. A tabela apresenta períodos diferentes, que devem ser preservados em citações, gráficos e trabalhos acadêmicos.
Como utilizar os dados em diagnósticos sociais?
Uma aplicação possível é usar os indicadores nacionais como contexto e, depois, investigar como o problema aparece no município ou na área de abrangência de um serviço.
Na segurança alimentar, por exemplo, a equipe pode examinar demandas por alimentação, condições de renda e disponibilidade de equipamentos públicos. No trabalho, pode investigar dificuldades de inserção, informalidade e barreiras como transporte ou responsabilidades de cuidado.
Essas são propostas de aplicação dos dados. Os números nacionais, isoladamente, não permitem concluir que um bairro ou município apresentou a mesma evolução.
Um diagnóstico pode combinar estatísticas públicas, registros dos serviços e escuta da população, explicitando os limites de cada fonte. Registros de atendimento, por exemplo, descrevem a demanda que chegou ao serviço e não necessariamente toda a população que precisa dele.
Como o relatório pode contribuir para pesquisas e TCCs?
Para estudantes, o material pode ajudar na delimitação do problema e na construção da justificativa da pesquisa. Algumas possibilidades de investigação são:
- Barreiras de acesso às políticas de segurança alimentar;
- Relações entre inserção no trabalho e demandas por proteção social;
- Diferenças territoriais no acesso a serviços;
- Limites dos indicadores de renda para compreender as condições de vida.
Antes de incorporar um número ao trabalho, consulte a tabela original, a fonte estatística e as notas metodológicas. Registre o período, a população analisada, o recorte geográfico e a definição do indicador.
Também é necessário distinguir associação de causalidade: a melhora simultânea de dois indicadores não demonstra, por si só, que um provocou o outro.
Do indicador ao planejamento profissional
No planejamento, os dados podem orientar perguntas sobre prioridades, público atendido e resultados esperados. Um roteiro possível é:
- Identificar o problema que a equipe pretende enfrentar;
- Verificar quais dados existem sobre o território;
- Relacionar os resultados às demandas observadas no atendimento;
- Definir ações compatíveis com as atribuições e os recursos disponíveis;
- Estabelecer indicadores para acompanhar o trabalho.
Leia também no Portal: Desigualdades territoriais e acesso à educação da população migrante no Brasil.
Onde consultar a publicação?
A notícia do MDS apresenta os destaques e indica o acesso à publicação do Observatório.
Para pesquisas, diagnósticos e planejamento, a consulta ao documento completo permite conferir a metodologia antes de selecionar os indicadores mais adequados ao objetivo do trabalho.

