Neste 21 de setembro, o debate chama atenção para barreiras nos serviços, respeito à autonomia e participação das pessoas com deficiência.
O anticapacitismo no Serviço Social exige atenção às condições em que o atendimento acontece. A pessoa consegue entrar no prédio, compreender as orientações, apresentar suas demandas e participar das decisões que dizem respeito à sua vida?
Neste 21 de setembro, Dia Nacional de Luta das Pessoas com Deficiência, o Conselho Federal de Serviço Social (CFESS) publicou uma reflexão sobre o compromisso de toda a categoria com essa luta. O texto destaca o enfrentamento de práticas que infantilizam ou tutelam pessoas com deficiência e a necessidade de garantir acessibilidade nos espaços de atuação profissional.
Reconhecer as barreiras no acesso aos serviços
A Lei Brasileira de Inclusão reconhece que as barreiras podem estar nos espaços urbanos, nas edificações, nos transportes, na comunicação, nas tecnologias e nas atitudes. Por isso, avaliar a acessibilidade exige observar todo o percurso necessário para utilizar um serviço.
Uma proposta para as equipes é revisar esse percurso a partir de perguntas concretas:
- O agendamento oferece alternativas para diferentes necessidades de comunicação?
- A entrada, a circulação e a sala de atendimento são acessíveis?
- As informações estão disponíveis em formatos que a pessoa consegue utilizar?
- Há tempo para escutar, explicar e esclarecer dúvidas?
- O encaminhamento considera as condições de acesso ao serviço de destino?
Essa revisão pode revelar dificuldades que passam despercebidas na rotina, como um formulário incompatível com leitor de tela ou uma orientação transmitida exclusivamente por áudio.
Autonomia também se constrói na forma de atender
Precisar de apoio não elimina o direito de participar das decisões. A Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência reconhece a capacidade legal em igualdade de condições e prevê acesso aos apoios necessários ao seu exercício.
No cotidiano, isso pode orientar atitudes como dirigir a conversa à própria pessoa, perguntar como prefere se comunicar e combinar a participação de acompanhantes. Uma necessidade de apoio deve ser compreendida a partir daquela situação, sem presumir que todas as pessoas com a mesma deficiência têm as mesmas demandas.
Como exercício de revisão do atendimento, a equipe pode perguntar: a vontade da pessoa foi escutada e considerada ou alguém respondeu por ela durante toda a conversa?
Transformar dificuldades recorrentes em mudanças no serviço
Uma proposta prática é organizar o registro das barreiras identificadas, dos recursos solicitados e das providências encaminhadas. Esse levantamento pode apoiar a discussão com a gestão sobre prioridades e responsabilidades.
Por exemplo: se orientações importantes são entregues apenas em documentos inacessíveis, a resposta pode envolver a revisão dos materiais utilizados por toda a equipe. Se o mesmo obstáculo aparece em sucessivos encaminhamentos, cabe discutir o fluxo com a rede.
Também é possível criar espaços acessíveis de avaliação do atendimento, permitindo que as próprias pessoas com deficiência indiquem problemas e proponham mudanças.
Assistentes sociais com deficiência também precisam ser ouvidos
A reflexão do CFESS alcança as condições de exercício profissional. Assistentes sociais com deficiência também encontram barreiras nos locais de trabalho, e o enfrentamento do capacitismo precisa considerar suas experiências e participação.
Para o Serviço Social, a mobilização de 21 de setembro pode abrir uma discussão permanente: quais mudanças a instituição precisa assumir, quem ficará responsável por elas e como acompanhar seus resultados?
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Fonte principal: CFESS — Anticapacitismo e Serviço Social: esse assunto é de toda a categoria, publicado em 21/09/2026.
Professor universitário. Doutorando em Políticas Públicas. Mestre em Sociologia. Especialista em Gestão Pública Municipal. Especialista em Direito Previdenciário. Bacharel em Serviço Social e em Administração.
Currículo Lattes: http://lattes.cnpq.br/5220780303947208
ResearchGate: https://www.researchgate.net/profile/Francisco-Garcez

