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Serviço Social em 2026: o que esperar?

Em 2026, o Serviço Social entra em um cenário marcado por promessas de retomada de direitos sociais, mas ainda fortemente atravessado por ajuste fiscal, focalização e precarização do trabalho profissional. Assistentes sociais, estudantes e gestores se perguntam como ficarão as políticas públicas, o mercado de trabalho e a formação em Serviço Social diante de novas emergências sociais, das crises ambientais e das disputas em torno do financiamento da seguridade social.

Tendências nas políticas públicas que impactam o Serviço Social

As políticas públicas em 2026 devem reforçar o papel do Serviço Social no combate à pobreza e às desigualdades. O governo federal, por exemplo, assumiu o compromisso de retirar o Brasil do Mapa da Fome e erradicar a fome até o final de 2026. Isso significa investimentos contínuos em programas de transferência de renda (como o Bolsa Família renovado) e em medidas de segurança alimentar. Assistentes sociais estarão na linha de frente dessas iniciativas, articulando ações de inclusão social e ampliando o acesso de famílias vulneráveis a direitos básicos. Importante destacar que a meta de erradicar a fome até o fim de 2026 depende não só de programas de transferência de renda, mas de revogação de cortes anteriores, valorização do salário mínimo, políticas de abastecimento e redução da desigualdade estrutural. Sem isso, o risco é transformar uma promessa em slogan de governo, mantendo milhões em insegurança alimentar.

Também se nota uma preocupação crescente em tornar as políticas públicas mais inclusivas para populações historicamente marginalizadas, como imigrantes e refugiados. O Brasil vem recebendo fluxos migratórios significativos (haitianos, venezuelanos etc.), e a assistência social precisa se adaptar. Um exemplo é o Projeto de Lei 2.425/2020, aprovado no Senado em 2025, que garante igualdade de tratamento nas políticas assistenciais para imigrantes residentes no país.

Essa proposta, ao alterar a LOAS, assegura que estrangeiros em situação de vulnerabilidade tenham acesso aos serviços socioassistenciais sem discriminação, alinhando-se a entendimento do Supremo Tribunal Federal de que a falta de documentos não pode impedir o acesso a direitos básicos. Em outras palavras, a proteção social tende a se universalizar ainda mais, alcançando quem mais precisa, independente de nacionalidade ou status migratório.

Por fim, as questões socioambientais estão ganhando espaço central nas agendas públicas – e isso afeta diretamente a atuação do assistente social. Temas como justiça ambiental e mudanças climáticas agora são entendidos como parte da “questão social”. Em 2025, por exemplo, o conjunto CFESS-CRESS adotou o lema a gente defende a justiça ambiental para combater a desigualdade social”. Desastres ambientais (enchentes, deslizamentos, secas prolongadas) têm impacto maior sobre comunidades pobres, e os assistentes sociais vêm denunciando e atuando sobre esses efeitos. Espera-se que em 2026 políticas intersetoriais ligando meio ambiente e desenvolvimento social ganhem força – seja integrando ações de defesa civil com assistência social, seja promovendo projetos de desenvolvimento sustentável nas comunidades. Assim, as tendências de políticas públicas apontam para a valorização do Serviço Social na construção de uma sociedade mais justa, inclusiva e resiliente, onde o bem-estar da população caminhe de mãos dadas com a democracia e a sustentabilidade.

Mudanças legislativas relevantes em debate

Uma frente legislativa importante é a implementação de leis já aprovadas que expandem campos de atuação para assistentes sociais. A Lei nº 13.935/2019, por exemplo, determinou que as redes públicas de educação básica devem contar com serviços de psicologia e de serviço social. Embora sancionada em 2019, sua implementação efetiva vinha sendo lenta. Recentemente houve progresso: em 2024 o Ministério da Educação criou um grupo de trabalho e, em fevereiro de 2025, realizou um seminário nacional para orientar as redes de ensino sobre como inserir assistentes sociais nas escolas.

Além disso, questões trabalhistas da categoria também continuam no radar do legislativo. Há anos tramitam no Congresso projetos sobre piso salarial nacional dos assistentes sociais e redução da carga horária. Porém, enfrentam entraves orçamentários e ainda não se tornaram lei. Em 2026, a mobilização da categoria pode ganhar novo fôlego nesse sentido, principalmente se a valorização dos profissionais do SUAS entrar na agenda pública.

Mercado de Trabalho

No setor público, tradicional empregador da categoria, a expectativa é de manutenção e possivelmente aumento das vagas. Programas federais e estaduais de combate à pobreza, proteção à infância, habitação e outros exigem equipes técnicas com assistentes sociais em CRAS, CREAS, hospitais, escolas, unidades de saúde da família, institutos de previdência (como o INSS) e demais equipamentos sociais. Conforme essas políticas sejam ampliadas (por exemplo, a iniciativa de colocar assistentes sociais em todas as escolas públicas, citada anteriormente), novas posições poderão ser criadas. Também há uma tendência de interiorização: muitas oportunidades estão surgindo fora dos grandes centros, em cidades do interior onde os programas sociais do governo federal estão atuando fortemente.

No terceiro setor (ONGs, fundações, organizações internacionais), o cenário continua favorável. Instituições que trabalham com direitos humanos, população em situação de rua, refugiados, crianças e adolescentes, mulheres em situação de violência, entre outros, dependem de assistentes sociais em suas equipes técnicas para planejar e executar projetos. Com as emergências sociais atuais (como crises migratórias e desastres ambientais), muitas ONGs têm buscado profissionais capacitados para atuar na linha de frente humanitária e na articulação de redes de proteção, e o assistente social cumpre exatamente esse papel.

Importante: a provável ampliação de vagas no setor público e no terceiro setor convive com vínculos precarizados, alta rotatividade, convênios mal financiados e metas incompatíveis com a qualidade do atendimento. O mercado de trabalho em 2026 tende a seguir disputado: há demanda por assistentes sociais, mas muitas vezes em condições que reforçam a lógica de gestão da pobreza, e não de garantia de direitos.

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