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Brasil supera 156 mil migrantes interiorizados e fortalece resposta humanitária na fronteira norte

O Brasil alcançou um marco histórico em sua política migratória ao ultrapassar a marca de 156 mil migrantes e refugiados interiorizados desde 2018, por meio da Operação Acolhida. Essa iniciativa, liderada pelo Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome (MDS), consolidou-se como uma das principais estratégias humanitárias para enfrentar o fluxo migratório pela fronteira com a Venezuela.

Integração social e autonomia econômica

Mais do que uma ação emergencial, a Operação Acolhida tem foco na integração social, no acesso a direitos e na promoção da autonomia econômica das famílias migrantes. O processo de interiorização, que consiste no realocamento voluntário de pessoas para outros estados e municípios brasileiros, tornou-se o eixo central do programa, assegurando uma distribuição equilibrada do acolhimento e ampliando oportunidades de inserção social e profissional.

Acolhimento organizado e proteção social

porta de entrada terrestre em Pacaraima (RR) é o ponto inicial de atendimento, onde os migrantes passam por triagem de saúde, vacinação, apoio jurídico e regularização migratória. Em seguida, são encaminhados para abrigos temporários em Boa Vista (RR) ou destinados a outras cidades, conforme o perfil de cada família e as oportunidades disponíveis.

Os abrigos em Boa Vista atendem tanto populações não indígenas quanto migrantes indígenas venezuelanos, oferecendo acolhimento seguroorientação social e apoio psicossocial, fundamentais para reduzir situações de vulnerabilidade.

Interiorização como política pública de integração

Entre 2018 e dezembro de 2025, mais de 1.100 municípios brasileiros participaram do processo de interiorização de migrantes e refugiados. Esse deslocamento voluntário é organizado em quatro modalidades principais: acolhimento institucional fora de Roraimareunificação familiarreunião social e emprego sinalizado — quando vagas são previamente oferecidas por empresas parceiras.

Essa abordagem favorece o acesso a políticas públicas locaisamplia as chances de inserção laboral e reduz a sobrecarga dos serviços concentrados na fronteira norte, servindo como referência internacional em governança migratória humanitária.

Cooperação federativa e internacional

Operação Acolhida é um exemplo de gestão federativa e multilateral, articulando governo federal, estados, municípios, organizações da sociedade civil e agências do sistema ONU, como ACNUROIM e UNICEF. Essa cooperação garante padronização de procedimentosmonitoramento constante e melhoria contínua das condições humanitárias nos abrigos, como o Centro Rondon 1, em Boa Vista, que funciona como espaço de transição para integração social e econômica das famílias.

Impacto humano e institucional

Os resultados da Operação Acolhida vão além dos números: representam reconstrução de vidas e fortalecimento institucional. Milhares de famílias venezuelanas conquistaram o acesso a serviços públicosdocumentação regularinserção escolar e emprego formal. Internacionalmente, a experiência brasileira é reconhecida como modelo de cooperação humanitária sustentável em contexto de crise migratória.

Ao superar 156 mil pessoas interiorizadas, o Brasil reafirma seu comprometimento com a dignidade humana, a solidariedade internacional e os princípios consagrados do direito humanitário e das políticas públicas inclusivas.


Referências

  1. Brasil. Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome (MDS)Operação Acolhida ultrapassa 156 mil pessoas interiorizadas. Portal Gov.br. Publicado em 20 jan. 2026.
  2. ACNUR Brasil. Operação Acolhida: resposta humanitária para refugiados e migrantes da Venezuela no Brasil. Disponível em: https://www.acnur.org/brasil/operacao-acolhida. Acesso em: jan. 2026.
  3. Organização Internacional para as Migrações (OIM). Relatório sobre a interiorização de venezuelanos no Brasil: avanços e desafios 2018–2025. Brasília: OIM Brasil, 2025.

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