Menu fechado

O projeto ético-político x ordem burguesa: o sentido da atuação da assistente social

 O projeto ético-político do Serviço Social é incompatível com a ordem burguesa. Isso é explicado pela contradição entre a apropriação privada da produção coletiva, pelo fato de que a reprodução do capital é geradora de pobreza. Ou seja, a riqueza de alguns é proporcionada pelo empobrecimento de outros. 

Cabe ressaltar ainda que existe um dilema no interior da relação entre a ordem burguesa e a garantia de direitos: a democracia sob a ótica burguesa proporciona direitos sociais, políticos, civis etc. mas, ao mesmo tempo, impõe limites para a cidadania.

Iamamoto em “Serviço Social na Cena Contemporânea” afirma que:  

“A contradição entre cidadania e classe social: a condição de classe cria déficits e privilégios, que criam obstáculos para que todos possam participar, igualitariamente, da apropriação de riquezas espirituais e materiais, socialmente criadas”. 

Ainda cabe um outro recurso a autora:
“A questão social não é senão as expressões do processo de formação e desenvolvimento da classe operária e de seu ingresso no cenário político da sociedade, exigindo seu reconhecimento como classe por parte do empresariado e do Estado. É a manifestação, no cotidiano da vida social, da contradição entre o proletariado e a burguesia, a qual passa a exigir outros tipos de intervenção mais além da caridade e repressão” (Relações Sociais e Serviço Social no Brasil).
O Serviço Social é chamado – pelo Estado – a atuar nas expressões da questão social. No entanto, as expressões da questão sociais são reproduzidas sob a ordem burguesa. Mesmo o Estado, dado o caráter de classe, não busca efetivamente minar as expressões da questão social.
Então o Serviço Social poderia viver das expressões da questão social ou intervir substantivamente na questão social. A intervenção nas expressões da questão social pressupõe uma emancipação das classes subalternas e um nova ordem societária. Tanto é que, Iamamoto – Serviço Social na Cena Contemporânea – afirma:
“O trabalho profissional cotidiano passa a ser conduzido, segundo os dilemas universais relativos à refundação do Estado e sua progressiva absorção pela sociedade civil – o que se encontra na raiz da construção da esfera pública –; à produção e distribuição mais equitativa da riqueza; à luta pela ultrapassagem das desigualdades pela afirmação e concretização dos direitos e da democracia”.
Ou seja, a profissão pressupõe um caráter ético-político. Simplesmente não teria lógica uma atuação no que diz respeito à questão social, no sentido de perpetuá-la, mas sim uma intervenção profissional para que ela não exista mais. O que pressupõe um projeto de sociedade. A própria Iamamoto afirma que a luta pela afirmação de direitos é também uma luta contra o capital

Resumindo: não se apaga fogo com gasolina!

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *